O WinNative começou chamando atenção por tentar rodar jogos de Windows no Android, mas o projeto ganhou uma função que muda bastante a proposta do aplicativo: a área Retro.
Com ela, jogos de PC e títulos de vários consoles podem aparecer dentro da mesma biblioteca. Em vez de abrir um aplicativo para Windows, outro para PlayStation 2 e outro para GameCube, a ideia é concentrar tudo em um único lugar.
Foi justamente essa parte que mais chamou nossa atenção durante o teste. O WinNative não substitui automaticamente os emuladores dedicados, mas tenta oferecer uma experiência mais organizada para quem costuma jogar em várias plataformas diferentes.
O vídeo mostra melhor como essa mistura funciona
No teste abaixo mostramos a biblioteca, a nova área Retro e algumas das configurações disponíveis na build usada naquele período.
Como o projeto recebe mudanças frequentes, versões mais novas podem apresentar menus e comportamento diferentes do que aparece no vídeo.
Uma biblioteca para jogos de PC e consoles
O lado de Windows continua fazendo parte do WinNative. É possível trabalhar com jogos adicionados manualmente e com bibliotecas suportadas pelo projeto, incluindo Steam, Epic Games e GOG.
A diferença agora é que a área Retro coloca consoles dentro dessa mesma experiência.
Depois que os componentes necessários são instalados, uma ROM compatível pode entrar na biblioteca da mesma forma que outros jogos. O aplicativo identifica o sistema correspondente e utiliza o core ou emulador apropriado para iniciar a execução.
Na prática, isso permite deixar um jogo de PC ao lado de um título de Super Nintendo, PlayStation ou GameCube sem separar tudo em vários aplicativos.

Quais consoles entram nessa área Retro?
O WinNative não usa exatamente a mesma tecnologia para todos os sistemas.
Consoles mais antigos utilizam diferentes cores do ecossistema Libretro. Já plataformas mais pesadas, como PlayStation 2, GameCube e Wii, dependem de projetos dedicados.
| Sistema | Core ou emulador |
|---|---|
| NES | FCEUmm |
| Super Nintendo | Snes9x |
| Game Boy / Game Boy Color | Gambatte |
| Game Boy Advance | mGBA |
| Mega Drive / Master System / Game Gear | Genesis Plus GX |
| Nintendo 64 | Mupen64Plus-Next |
| PlayStation | Beetle PSX |
| PlayStation 2 | ARMSX2 |
| GameCube | Dolphin |
| Wii | Dolphin |
Essa lista não deve ser entendida como uma promessa de desempenho. Um jogo de Super Nintendo exige muito menos do aparelho do que um título de PS2, GameCube, Wii ou um jogo de Windows.
A área Retro precisa ser preparada antes do primeiro jogo
Os componentes dos consoles não precisam ficar todos incluídos permanentemente no APK principal.
Dentro das configurações existe uma seção específica para preparar a parte Retro:
Configurações → Retro → Download console cores
É ali que o aplicativo baixa os componentes necessários. A mesma área reúne opções relacionadas a BIOS e configurações dos sistemas.

Depois dessa preparação, basta voltar para a biblioteca e adicionar um jogo personalizado.
Para um título de Windows, normalmente seria selecionado um executável. Na parte Retro, você escolhe uma ROM compatível e o WinNative tenta identificar o sistema correspondente.
PS2, GameCube e Wii exigem bem mais do celular
Os consoles mais pesados deixam claro por que não existe um único requisito de hardware para o WinNative.
No PlayStation 2, o projeto utiliza tecnologia baseada no ARMSX2, derivado do PCSX2 e voltado para dispositivos ARM.
Já GameCube e Wii utilizam uma implementação baseada no Dolphin.
Nesses casos, CPU, GPU, driver gráfico, temperatura do aparelho e o próprio jogo influenciam bastante no resultado.
O fato de o sistema aparecer dentro da biblioteca não significa que qualquer celular conseguirá executar todos os jogos com velocidade normal.

Controles, save states e outras opções
A parte Retro possui controles virtuais para quem pretende jogar diretamente na tela do celular. Também existe suporte para controles físicos em situações compatíveis.
Dependendo do sistema utilizado, o menu durante o jogo pode disponibilizar opções como:
- salvar estado;
- carregar estado;
- reiniciar o jogo;
- avanço rápido;
- ajustes de vídeo e áudio;
- configurações de controle.
A implementação também inclui recursos relacionados ao RetroAchievements e multiplayer em determinados sistemas.
Nem tudo funciona exatamente da mesma maneira em todos os consoles, já que cada um pode utilizar um core ou emulador diferente.
E os jogos de PC?
Eles continuam sendo uma parte importante do projeto.
O WinNative mantém a possibilidade de trabalhar com jogos de Windows e bibliotecas como Steam, Epic Games e GOG, além de títulos adicionados manualmente.
É justamente essa combinação que diferencia o aplicativo. Ele não está tentando ser apenas um frontend para consoles nem apenas mais um ambiente de Windows.
A proposta é fazer as duas coisas aparecerem no mesmo lugar.
A build do vídeo e a PR #684
A compilação mostrada no nosso teste estava ligada à PR #684, mas é importante não confundir essa numeração com a criação da área Retro.
A função Retro já havia sido adicionada anteriormente ao projeto.
A PR #684 tratava principalmente de problemas relacionados às unidades utilizadas pelos contêineres e aos caminhos de jogos adicionados manualmente.
Em algumas situações, uma unidade correspondente ao armazenamento do aparelho podia deixar de aparecer corretamente dentro do ambiente Windows. Isso também podia resultar em erros de caminho ao iniciar determinados jogos.
A build disponibilizada nesse período é marcada como prerelease, portanto deve ser tratada como uma compilação de desenvolvimento.
Standard, Antutu, Ludashi ou PUBG?
Na página dessa build aparecem diferentes variantes do APK. Elas não representam versões completamente diferentes do WinNative.
| APK | Uso |
|---|---|
| Standard | É a opção indicada para começar. |
| Antutu | Utiliza um identificador que pode interagir com políticas de desempenho de alguns aparelhos. |
| Ludashi | Segue uma lógica semelhante utilizando outro identificador. |
| PUBG | Pode interagir com perfis relacionados a jogos em determinados fabricantes. |
O WinNative vale a pena hoje?
Depende bastante do que você procura.
Se a ideia é apenas jogar Super Nintendo, PlayStation ou outro sistema específico, um emulador dedicado e já bem amadurecido provavelmente continuará sendo mais simples.
O WinNative fica mais interessante para quem gosta de testar diferentes plataformas e quer manter jogos de PC e consoles reunidos em uma biblioteca só.
Também é um projeto interessante para acompanhar porque ainda está evoluindo rapidamente. Isso, ao mesmo tempo, significa que determinadas builds podem apresentar regressões, mudanças de interface ou diferenças de compatibilidade.
No estado mostrado no nosso teste, eu vejo o WinNative muito mais como uma central experimental para quem gosta de emulação do que como substituto obrigatório para todos os outros aplicativos.
Download do WinNative
Para reproduzir o cenário mostrado no vídeo, existe a página específica da build ligada à PR #684. Para acompanhar versões posteriores, o projeto também mantém a página normal de releases.
Links oficiais do WinNative
Build mostrada no vídeo — PR #684
WINNATIVE — BUILD DO VÍDEOVersões do projeto
RELEASES — WINNATIVEComo o desenvolvimento avança rapidamente, confira as notas da versão antes de instalar uma build diferente daquela utilizada no vídeo.



