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GameNative: como rodar jogos de PC no Android sem streaming

Sumário

O que mais me chamou atenção quando fui testar o GameNative foi a proposta de colocar um jogo de PC para rodar no próprio celular, sem depender de outro computador ligado fazendo streaming.

Isso muda bastante a comparação com Steam Link, Moonlight ou cloud gaming. Aqui o Android não está simplesmente recebendo uma imagem transmitida pela rede. O jogo realmente é executado no aparelho.

Quando gravei o vídeo desta matéria, o GameNative ainda estava numa fase bem diferente da atual. Desde então o projeto ganhou várias funções, corrigiu problemas e ficou mais focado em reduzir aquela quantidade enorme de configuração manual que normalmente existe quando tentamos rodar jogos de Windows no Android.

Importante: o GameNative foi desenvolvido para executar jogos que você possui legalmente. Esta postagem não fornece jogos de PC, cracks ou arquivos comerciais.

Meu teste do GameNative no Android

No vídeo abaixo eu mostro essa proposta funcionando na prática.

Hoje eu não usaria aquela gravação como benchmark da versão atual. O vídeo continua sendo útil porque mostra o teste que realmente fiz, mas o projeto mudou bastante depois disso.

É justamente por isso que estou atualizando a matéria em vez de simplesmente manter as informações antigas.

Sobre as imagens: as imagens criadas para este artigo são ilustrações editoriais. O teste real, a interface do aplicativo e os resultados aparecem no vídeo e nas informações descritas no texto.
Imagem ilustrativa: GameNative no Android mostrando biblioteca e recursos para executar jogos de PC
O GameNative tenta reunir biblioteca, instalação e configuração dos jogos em uma experiência mais direta no Android.

Não é streaming: o jogo roda no celular

Essa diferença ainda é a melhor forma de entender o GameNative.

Quando você usa Steam Link ou Moonlight, o computador continua fazendo o trabalho pesado. O celular recebe vídeo e envia seus comandos de volta.

No GameNative, o processamento acontece no próprio dispositivo Android.

É por isso que o hardware do telefone pesa tanto no resultado. Processador, GPU, driver, temperatura e o próprio jogo fazem diferença.

Também significa que não existe uma resposta simples para “meu celular roda GameNative?”. Um jogo leve e um AAA recente podem ter exigências completamente diferentes.

O GameNative 1.2.0 mudou bastante coisa

Essa é a principal correção em relação à versão anterior desta postagem.

A versão oficial atual já é a GameNative 1.2.0.

E dessa vez não estamos falando apenas de pequenas correções.

Uma das novidades que achei mais interessantes é o novo controle automático de energia em aparelhos compatíveis da Samsung, AYN e Retroid Pocket. A ideia é controlar melhor CPU e GPU para reduzir consumo, calor e o famoso thermal throttling.

Na prática, isso é relevante porque jogo de PC mantém o celular sob carga pesada por bastante tempo. Às vezes o jogo começa bem e perde desempenho depois que o aparelho esquenta.

A versão 1.2.0 também acelerou bastante o carregamento em armazenamento externo e corrigiu problemas na instalação de jogos da Epic e GOG nesse tipo de armazenamento.

Para quem usa portátil Android com cartão ou outra mídia externa, essa mudança pode ser bem mais importante do que parece.

Agora existe um navegador de configurações da comunidade

Essa novidade combina bastante com a proposta do GameNative.

Em soluções mais manuais, normalmente você precisa descobrir sozinho qual driver, wrapper, versão do ambiente e outras opções funcionam melhor para determinado jogo.

O GameNative já trabalhava com configurações compartilhadas pela comunidade. A versão 1.2.0 agora adiciona um navegador desses perfis dentro do próprio aplicativo.

Isso não garante que o jogo vai rodar perfeitamente no seu celular, mas pelo menos oferece um ponto de partida que já funcionou para outra pessoa.

Eu ainda faria alterações com calma. Se o jogo abrir com um perfil conhecido, começaria dali e mudaria uma opção por vez em vez de desmontar tudo de uma vez.

Imagem ilustrativa: GameNative mostrando instalação configuração e execução de jogos de PC no Android
Perfis conhecidos, controles e opções integradas tentam diminuir a quantidade de ajustes manuais antes de começar a jogar.

Steam continua sendo uma das partes mais interessantes

Para mim, o GameNative começa a fazer muito mais sentido quando a biblioteca já existe.

Em vez de procurar arquivos de jogo por fora, você trabalha com títulos que possui em serviços compatíveis.

O projeto oferece integração com Steam, Epic Games, GOG e Amazon.

Na Steam também existem recursos como DLCs, Workshop, branches e cloud saves.

Isso deixa a experiência bem diferente de simplesmente abrir um executável de Windows dentro de um container.

Um detalhe que também chegou na 1.2.0 é a possibilidade de usar convites através do Steam Overlay quando o Bionic Steam está ativado.

Cloud save é uma função que eu realmente usaria

Esse recurso é simples, mas faz bastante sentido num dispositivo portátil.

Quando o jogo e a plataforma oferecem suporte, o progresso pode ser sincronizado entre computador e celular.

Então você pode jogar no PC, parar e continuar depois no Android.

É justamente esse tipo de integração que deixa o GameNative mais próximo de uma biblioteca portátil de jogos de PC e menos parecido com uma ferramenta técnica de emulação.

Vale lembrar que isso depende do próprio jogo e do serviço utilizado. Não é uma função universal para qualquer título.

A 1.2.0 também corrigiu um problema importante com saves

No changelog atual existe uma correção relacionada a saves locais que podiam ser perdidos.

Para mim, esse tipo de correção é muito mais importante do que simplesmente ganhar uma opção nova na interface.

Jogar várias horas e depois perder o progresso é uma das piores coisas que podem acontecer num aplicativo desse tipo.

Mesmo assim, para jogos importantes eu continuaria mantendo backup quando possível.

LSFG e controle de FPS também receberam atenção

O GameNative vem trabalhando bastante na integração com geração de frames através do LSFG-VK.

A versão 1.2.0 trouxe melhorias para evitar travamentos, reduzir uso desnecessário de armazenamento e melhorar o funcionamento em aparelhos onde existe limitação de quadros.

Também houve correção no limitador de FPS para jogos que não utilizam DirectX, como alguns títulos mais simples.

Eu não trataria geração de frames como solução automática para qualquer jogo lento. Ela pode ajudar em determinados cenários, mas não substitui desempenho base suficiente.

Controle físico ainda é a forma que eu prefiro

O GameNative possui controles na tela e um editor para personalizar o layout.

Para jogos simples isso pode resolver tranquilamente.

Mas quando estamos falando de jogos de PC que dependem de dois analógicos, gatilhos e vários botões, eu prefiro um gamepad físico.

A versão nova também trouxe um menu radial configurável para controles e correções no mapeamento de alguns botões.

Isso mostra uma coisa interessante sobre o projeto: ele não está focado apenas em fazer o jogo iniciar. A experiência de realmente jogar também continua recebendo atenção.

GameNative ou Winlator?

Os dois conseguem colocar jogos de PC no Android, mas eu não usaria exatamente o mesmo critério para escolher.

O Winlator continua sendo interessante para quem gosta de montar o ambiente manualmente, escolher versões, drivers, wrappers e mexer em vários detalhes.

O GameNative tenta automatizar uma parte bem maior desse trabalho.

Se existe um perfil conhecido para o jogo, ele pode aplicar configurações usadas pela comunidade e reduzir bastante o processo de tentativa e erro.

Eu vejo o Winlator como uma ferramenta mais aberta para experimentar. O GameNative tenta entregar algo mais próximo de escolher o jogo da biblioteca e começar a preparar a instalação.

Nenhum dos dois elimina completamente a necessidade de ajustes.

Snapdragon ainda leva vantagem?

Historicamente, GPUs Adreno têm um ecossistema de drivers muito forte nesse tipo de aplicação Android.

Mas o GameNative vem tentando ampliar a quantidade de aparelhos que conseguem usar o projeto.

Isso não significa que Mali, Exynos ou qualquer outro hardware automaticamente terão o mesmo resultado de um Snapdragon equivalente.

Antes de baixar um jogo enorme, eu consultaria a lista de compatibilidade do próprio projeto e procuraria testes feitos em hardware parecido com o seu.

Privacidade e login também merecem atenção

Como o aplicativo pode trabalhar com contas de lojas que possuem jogos comprados, eu evitaria completamente APK modificado ou republicado por terceiros.

Baixaria apenas pela página oficial.

O projeto também informa que utiliza análises anônimas para melhorar a compatibilidade. Eventos de execução dos jogos podem incluir nome do título, loja, duração da sessão, FPS médio e configuração usada.

Segundo a documentação atual, não são coletados nome, e-mail, IP ou identificador do aparelho nesse processo.

Outros dados de uso são opcionais e podem ser desativados nas configurações.

Eu testaria a 1.2.0 hoje?

Sim, principalmente porque essa versão atacou vários pontos que importam no uso real.

Não é apenas uma atualização com número novo. Armazenamento externo, saves, energia, configurações da comunidade, controles e LSFG receberam mudanças.

Mas eu manteria a mesma expectativa que tenho desde o primeiro teste: ainda estamos falando de rodar jogos de PC em hardware Android.

Nem todos os jogos vão funcionar e alguns vão exigir ajustes.

Eu começaria por um título já listado como compatível, usaria a configuração recomendada pela comunidade e só depois partiria para algo mais pesado.

Links do GameNative

DOWNLOAD OFICIAL VER COMPATIBILIDADE SITE OFICIAL

Na revisão desta matéria, a versão atual é a GameNative 1.2.0. Para celulares e tablets Android comuns, utilize o APK padrão. A versão Legacy XR é destinada a dispositivos XR/Quest.

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Fontes consultadas

Vinicius Miranda Gomes

Fundador, autor e responsável editorial pelo Vinicius Tutoriais, portal independente de tecnologia com testes práticos, tutoriais e comparativos sobre Android, aplicativos, programas e emuladores. O conteúdo é produzido com testes em aparelhos reais, vídeos demonstrativos e consulta a fontes oficiais.

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